Ah, os franceses! É fácil ver
por aí as pessoas dizendo que a França é o país da arte, do charme e da boemia,
com razão. Tal fama não se perdeu nem quando os nazistas ocuparam a Paris da
Belle Époque entre 1940 e 1944, originando grandes clássicos musicais e
cantores que eternizaram o drama francês.
A França já foi o país mais
efervescente do mundo e isso todo mundo sabe. Muito da atual fama que rodeia a
nação francesa se deve ao seu passado cheio de cabarés, de produções artísticas
que mudaram o cenário mundial, da belle époque que perdeu um pouco a graça
depois da Primeira Guerra Mundial (3,5% da população, na maioria homens em
idade produtiva, morreram nas trincheiras), mas que voltou com tudo na década
de 20 como em "Paris é uma
Festa", de Hemingway e de vários outros motivos - isso contando
apenas a virada do século XIX até o começo do XX. Aqui eu vou tratar de um
período específico: de 1940 até 1944, ou mais precisamente, durante a ocupação
nazista. E tentarei me focar apenas (difícil) no que surgiu na música francesa.
Mas enfim, eu vim aqui falar de
música...
Os cabarés abrigavam grandes cantores.
Para a tristeza de alguns, Josephine Baker -- uma das maiores estrelas do
cabaré francês nessa época - parou sua carreira na França para se apresentar em
outros países. Ruim por um lado, bom para o outro porque outra artista famosa,
Mistinguett, apareceu para divertir os alemães. Saindo dos cabarés e indo pra
outro palco, apareceu Charles Trenet, o le fou chantant. O cantor era do tipo
"gente boa", autor de clássicos como "La Mer" e costumava
agradar bastante o público.
Cantava com nostalgia sobre o
passado feliz em "Que reste-t-il de nos amours?", mas isso não o
livrou de ser perseguido. Os nazistas diziam que ele era judeu porque, segundo
eles, Trenet era um anagrama de "Netter", sobrenome típico. Não, ele
não era judeu, mas era homossexual e sentiu-se obrigado a viajar para a
Alemanha com a finalidade de cantar aos prisioneiros de guerra franceses.
Da mesma forma que ele, Edith
Piaf também teve que ir até a Alemanha com o mesmo propósito (um bom motivo
convenhamos). Antes disso, a cantora se apresentou em quase todas as casas de shows
de Paris! Os alemães a assistiam e a recriminavam. Uma das canções que sofreram
isso foi "Mon légionnaire" e isso não a atemorizava. Dedicava músicas
aos prisioneiros e chegou até a esconder três amigos judeus!
Outro que passou a adolescência
vivenciando a ocupação nazista não na França, mas na Bélgica, foi Jacques Brel.
Racionamentos, deportações e censuras fizeram do jovem Brel um insurgente que
anos depois se tornaria um exemplo de sentimentalismo acentuado através de canções,
com interpretações emocionantes.
Foi neste amplo e vívido painel
que se descortinou percebe-se que “A festa continuou”. Cabarés, teatros
cinemas, casas de shows sempre lotados, bem como os salões da elite e o campo
das artes.
REFERENCIA
RIDING, Alan. Paris a Festa
continuou. Companhia das Letras 2010, São Paulo.
CARACALLA, Jean-Paul. Os
Exilados de Montparnasse. Record, 2009, Rio de Janeiro.
Wiser, William. Os Anos Loucos
Paris na Década de 20. José Olímpio, 1991, Rio de Janeiro.
HEMINGWAY, Ernest. Paris é Uma
Festa. Bertrand Brasil, 8ª ed. 2006, Rio de Janeiro.
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