sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

OS MISERÁVEIS







Após cumprir 19 anos de prisão com trabalhos forçados por ter roubado comida, Jean Valjean (Liam Neeson) é acolhido por um gentil bispo (Peter Vaughan), que lhe dá comida e abrigo. Mas havia tanto rancor na sua alma que no meio da noite ele rouba a prataria e agride seu benfeitor, mas quando Valjean é preso pela polícia com toda aquela prata ele é levado até o bispo, que confirma a história de lhe ter dado a prataria e ainda pergunta por qual motivo ele esqueceu os castiçais, que devem valer pelo menos dois mil francos. Este gesto extremamente nobre do religioso devolve a fé que aquele homem amargurado tinha perdido. Após nove anos ele se torna prefeito e principal empresário em uma pequena cidade, mas sua paz acaba quando Javert (Geoffrey Rush), um guarda da prisão que segue a lei inflexivelmente, tem praticamente certeza de que o prefeito é o ex-prisioneiro que nunca se apresentou para cumprir as exigências do livramento condicional. A penalidade para esta falta é prisão perpétua, mas ele não consegue provar que o prefeito e Jean Valjean são a mesma pessoa. Neste meio tempo uma das empregadas de Valjean (que tem uma filha que é cuidada por terceiros) é despedida, se vê obrigada a se prostituir e é presa. Seu ex-patrão descobre o que acontecera, usa sua autoridade para libertá-la e a acolhe em sua casa, pois ela está muito doente. Sentindo que ela pode morrer ele promete cuidar da filha, mas antes de pegar a criança sente-se obrigado a revelar sua identidade para evitar que um prisioneiro, que acreditavam ser ele, não fosse preso no seu lugar. Deste momento em diante Javert volta a perseguí-lo, a mãe da menina morre mas sua filha é resgatada por Valjean, que foge com a menina enquanto é perseguido através dos anos pelo implacável Javert. Les Misérables (Os Miseráveis) é uma das principais obras escritas pelo francês Victor Hugo no século XIX. Narra a situação política e social francesa no período da Insurreição Democrática (5 de junho de 1832), através da história de Jean Valjean. Tanto na obra de Vitor Hugo, quanto na adaptação para o cinema, observa-se a crítica de que o progresso material da sociedade não deve estar ligado à exclusão social. O pobre não pode ser excluído por não possuir patrimônio material ou cultural, porque o indivíduo não é aquilo que ele possui. Não é suficiente ser incriminado para ser realmente criminoso. Assim o criminoso pode ser a própria vítima do meio social onde vive. Podemos extrair certa visão antropológica de Vitor Hugo: O homem não nasceu mau, ele foi levado para isso. Por não ter escolhas a fazer, alguns nem mesmo tiveram direito à preferência pessoal. As pessoas não são simplesmente más, elas são declaradas assim, elas se transformam naquilo que lhes constroem. O personagem Jean Valjean foi compelido circunstancialmente para aquele crime sem que fosse realmente criminoso, mas apenas um miserável (num inverno rigoroso, perdeu o emprego, e a fome bateu à sua porta desesperado recorreu ao crime: quebrou a vitrine de uma padaria para roubar um pão), modificado socialmente pela situação imposta, confirmando assim a caricatura que lhe atribuíram. Apesar disso ele tinha antes da condenação humanidade, que voltaria a possuí-la mais tarde. Em uma sociedade muito afastada da "liberdade, igualdade e fraternidade" o bispo acolhe Valjean, quando nem ele acreditava em si mesmo e lhe dá a chance de ser igual e livre. As modificações comportamentais de Jean Valjean servem como uma crítica às crenças da época onde os pobres estavam condenados a marginalidade, pois não possuem bens materiais e nem culturais. Sem poder algum, os pobres estavam na margem da sociedade, e condenados a isto, não poderiam regenerar-se. O filme faz uma forte crítica social, contrariando muitos pensadores, conclui que um homem não nasce necessariamente predestinado a ser mal, há assim mais de uma possibilidade para que seja decretado marginal. Pode ser incriminado sem que seja realmente criminoso, quando se comete um crime real por não ter outra escolha e quando escolhe o crime como forma de vida.

1 Comentários:

Às 10 de dezembro de 2010 16:35 , Blogger Daysisinha Caldas disse...

Nossa assisti esse filme ontem!!! Que mara :) Eu super indico, Parabéns pelo Blog de muito bom gosto vou até seguir e voltar mais vezes Bjus

 

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