
“Fale de
sua aldeia e estará falando do mundo” disse alguém, creio que Tolstoi. Assim é
com Jorge Amado e sua Bahia de Todos os Santos, assim é Gabriel Garcia Marquez
com sua Macondo, microcosmo que reproduz os problemas colombianos e assim é no
cinema com Woody Allen, por exemplo, e sua New York e é desse modo também que
ficamos conhecendo Cuba através do bom humor e da critica afetiva de Gutierrez
Alea. Com Guantanamera, Alea revisita
sua Cuba querida de uma maneira bem-humorada e criativa. Segunda parceria sua
com Juan Carlos Tabío, depois do sucesso de Fresa y chocolate, Guatanamera acabaria sendo o canto do
cisne de Alea que morreria no ano seguinte, abril de 1996. Temas como a
velhice, a amizade, encontros e desencontros são tratados de maneira sutil e
delicada, filtrados através de um olhar por vezes nostálgico e sempre afetivo. Guatanamera pode ser descrito como um
road movie incomum, estranho e absurdo: indo visitar sua cidade natal,
Guantanamo, depois de cinqüenta anos ausente, bem-sucedida como atriz em La
Habana, Yoyita reencontra seu eterno amor a quem tinha visto pela ultima vez
quando ainda era uma niña de 12 anos. A emoção do reencontro e das lembranças
de juventude acabam sendo um pouco demais, matando a velha atriz, e é no translado
por terra de Guatanamo a La Habana do corpo de Yoyita que a estória se
desenrola. Durante a viagem insólita acontecerá de tudo. Situações cômicas e
tristes, encontros e rupturas, risos e lágrimas.
É assim o
cinema de Alea: usando o microcosmo de sua aldeia e falando de coisas banais e
corriqueiras ele alcança uma dimensão muito maior: o microcosmo representado o
mundo, a dimensão humana e universal. Todos nós podemos nos reconhecer nos seus
filmes, lá observamos a nós mesmos nos nossos conflitos e além de tudo
simpatizamos com nossos semelhantes nas suas duvidas, paixões e esperanças e
confirmamos de fato que nossa aldeia é o mundo.
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