
Ontem a noite assisti ao singelo filme/animação O
Mágico, dirigido por Sylvain Chomet. A história do filme começa em 1959 com
um mágico francês chamado Tatischeff; esta é uma homenagem ao diretor de cinema
francês Jacques Tati cujo verdadeiro sobrenome era Tatischeff. Já na época da história
o mágico é um
tipo de artista em extinção. Com os emergentes astros de rock roubando a cena
no fim dos anos 50, ele é forçado a aceitar cada vez mais trabalhos obscuros em
teatros de periferia, festas de quintais, bares e cafés. Ao empreender uma
viagem ao Reino Unido, em busca de quem aprecie o seu trabalho, encontra Alice,
uma garota simples que mudará sua vida. Observando a apresentação dele para
empolgados aldeões que comemoram a chegada da eletricidade em sua remota ilha,
Alice fica enfeitiçada pelo seu show e acredita que seus truques são mágica de
verdade. Quando o mágico vai para Edimburgo, ela o segue e acabam vivendo uma
relação de amizade que ultrapassa os limites as barreiras culturais existentes
entre eles, como por exemplo o idioma. Encantado com o entusiasmo dela por seu
número, ele a recompensa com numerosos presentes extravagantes que ele “faz
aparecer”. Desesperado para não decepcioná-la, ele não pode revelar que a
mágica não existe e que comprar aqueles presentes o está levando à ruína. Mas
Alice cresce, encontra o amor e se muda. O Mágico não precisa mais fingir e,
revelado por sua própria rede de mentiras, ele retoma sua vida como um homem
mais sensato. Encanto e melancolia, magia e realidade, antigo e
novo, arte e mercadoria, é nesse caminho impreciso que se estrutura O Mágico.
Desesperança quanto ao mundo? Não. A esperança, por menor que seja, permanece.
A magia pode estar quase esquecida por completo, mas ela existe.
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