terça-feira, 3 de setembro de 2013

Aura e a força do reencontro com Carlos Fuentes...


Um livro que cabe na palma da mão, praticamente um conto.
Terceiro trabalho de Carlos Fuentes que leio. Gostei muito da história, comecei a ler numa noite em casa e terminei no outro dia. A narrativa é envolvente e ia virando uma página atrás da outra. Devorei o pequeno livrinho como se estivesse em transe, dominado pela magia de seu enredo. O reencontro com Fuentes foi de espanto e hesitação. Tudo nele foi um choque para mim. O livro narra a história de Felipe Montero, um professor de história de vinte e poucos anos que lê um anúncio mais ou menos assim no jornal: “Procura-se jovem historiador, organizado, cuidadoso, que saiba francês para executar funções de secretário. O pagamento é ótimo e ainda há cama e comida”. Quando ele lê o anúncio pela primeira vez, não se candidata, pois acha que alguém já foi contratado, mas na segunda vez em que vê o anúncio no mesmo jornal, dirige-se ao endereço indicado, um casarão velho e decadente, onde é recebido por uma senhora que, pelas suas contas, deve ter mais de cem anos. Sua tarefa consiste em ler e corrigir os diários de seu falecido esposo. Ele é conduzido ao seu quarto pela sobrinha da velha, Aura, uma jovem de olhos verdes pela qual logo se apaixona. Daí em diante, coisas estranhas começam a acontecer naquele lugar onde a noção de tempo e realidade perde-se em cômodos eternamente escuros e opressivos. Aura, esse anjo-demônio, pessoa-fantasma, criava uma perturbadora questão de identidade e de realidade que me fascinou. O relato escabroso de Fuentes me dominou por completo. O livro teve em mim, o efeito parecido, em alguns trechos de Marina, de Carlos Ruiz Zafón. Imediatamente me lembrei de ter tido a mesma sensação ao ler A Sombra do Vento, também de Zafón. Neste último, aquela garota cega e linda, Clara, encanta Daniel desde a primeira vez que lhe aparece “como um anjo esculpido em brumas”. Aura, Marina e Clara têm em comum o fato de viverem em casas sombrias, na qual fazem companhia a um familiar mais velho e possuem um poder de sedução extraordinário. São metáforas do amor inalcançável, embora tão próximas, ao alcance da mão. Aura é, das três, a mais etérea, surreal, fantasmagórica. Esse meu terceiro encontro com Carlos Fuentes, por intermédio de Aura, foi desses marcantes e inesquecíveis. Por isso escolhi falar dele, para celebrar a memória de Fuentes. Vale a pena ler.

2 Comentários:

Às 4 de setembro de 2013 08:28 , Blogger Dágina Cristina disse...

Incrível a descrição do livro, tão envolvente mesmo que fui seduzida pela descrição! E o bom é que já me aventurei pelas páginas, em formato Pdf é possível encontrar na rede... Santa tecnologia!

O link
http://brasilia.cervantes.es/imagenes/carlos%20fuentes%20-%20aura.pdf


Abraço.

 
Às 8 de setembro de 2013 16:46 , Blogger Expresso Cultural disse...

Que bom que esta pérola do Fuentes te seduziu querida... Leia também os livros do Zafón e te sentirás seduzida por completo. Abraços para você também!!!

 

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